Pânico, genes e farmacoterapia
Daniel J. Wickert
Ao terminar o check-up anual com
resultados normais em todos os exames, Jane, uma mãe com quarenta e quatro
anos, perguntou se eu poderia ajudá-la com “os sentimentos negativos que
periodicamente atormentavam-na.” O problema ocorria à noite e assemelhava-se àquilo
que ela havia ouvido outros descreverem como “ataque de pânico.” Durante tais
episódios, ela sentia dificuldade para respirar e o batimento cardíaco ficava
acelerado. Apesar dos “ataques” durarem apenas um período curto de tempo, ela
mencionou que temia que crescessem em freqüência e intensidade. Sem muita
esperança, ela resumiu sua situação dizendo: “Doutor, não sei o que acontece
com o meu corpo, mas preciso de algum remédio!”
Quando pedi mais detalhes sobre os
ataques, ela disse que eles começaram quando seu filho adolescente ficava até
tarde fora de casa e ela o esperava voltar. Considerando a minha sequência de
perguntas irrelevante, ela voltou a dizer com impaciência: “Doutor, estou
doente. Podemos falar sobre o que vai receitar para mim?”
Todos nós que aconselhamos na igreja
ou em outros contextos ministeriais (ou cuidamos de pacientes no consultório
médico) já nos deparamos com o problema dos ataques de pânico. Há três questões
básicas que o conselheiro bíblico enfrenta a esse respeito:
- O que é um ataque de pânico?
- Há evidências médicas de que o
ataque de pânico seja causado por problemas físicos fora do controle da pessoa?
- Há evidências de que o ataque de
pânico seja herdado geneticamente?
Esse artigo tem por propósito esclarecer
essas perguntas.
No campo da medicina, um ataque de
pânico é uma “sensação aflitiva e intensa de apreensão, ameaça de
desfalecimento ou perda de autocontrole; quase sempre é espontânea e inesperada,
dura em geral de 20 a
30 minutos e está associada a sintomas somáticos (físicos) de aparição autônoma
(involuntária).” Se pelo
menos quatro ataques ocorrerem em um período de quatro semanas, ou um ou mais
ataques forem seguidos de um mês de antecipação medrosa de ataques subsequentes
estabelece-se um diagnóstico de transtorno do pânico. Um outro sintoma
comumente associado ao transtorno do pânico é a agorafobia – medo de situações
ou lugares dos quais escapar pode ser difícil ou embaraçoso, ou onde não há ajuda
disponível no caso de um ataque de pânico. Estudos médicos indicam que mais de
10% da população americana já viveu um ataque de pânico, mas o risco de
desenvolver o transtorno do pânico é de apenas 1.5 a 2%. O número de mulheres
diagnosticadas com transtorno do pânico é maior do que o de homens.
A causa dos ataques de pânico continua
indefinida. Não existe um teste específico para diagnóstico e o exame físico
geralmente não ajuda. O diagnóstico do transtorno do pânico é baseado apenas
nos sintomas relatados pelo paciente. Freqüentemente, os cristãos da classe
médica e também os leigos aceitam como fato a interpretação do modelo médico
para tais sintomas e dão crédito à definição do transtorno do pânico como uma
doença. O modelo médico de cura é a psicoterapia e os medicamentos, em lugar das
Escrituras. Entretanto, uma revisão cuidadosa da literatura médica não indica
uma prova absoluta de que uma alteração neuroquímica seja a causa do transtorno
do pânico.
A literatura científica está cheia de
palavras como “sugere, teoricamente, postulado, implica, parece que,
potencialmente, tendência, evidências preliminares”. Por exemplo, um artigo diz: “o resultado apóia
a hipótese de que há uma implicação...” Outro exemplo afirma “apesar da base neuroanatômica da ansiedade não ter sido
inteiramente elucidada...”. Uma
revisão da literatura sobre transtorno do pânico afirma: “Apesar do transtorno
do pânico ser tratável, sua patogênese (razões pelas por que a doença se
desenvolve) ainda é desconhecida.” O
artigo discute as duas causas mais comumente propostas, concluindo que ambas
mostram inconsistências e são incompletas e preliminares. Certamente isso não
indica uma relação científica provada de causa e efeito.
Ainda assim, muitos na comunidade cristã
escolheram abraçar a suposta “verdade” de que o transtorno do pânico é uma
doença e entregam o “problema médico” aos especialistas médicos, enquanto
ignoram as respostas bíblicas suficientes e superiores para resolver tais
problemas.
Os medicamentos podem alterar os
sentimentos, mas não resolvem os problemas subjacentes. Portanto, a
farmacoterapia e o aconselhamento bíblico caminham em direções diferentes
porque o objetivo do aconselhamento bíblico é ajudar o aconselhado a resolver
os problemas biblicamente, apesar dos sentimentos envolvidos. Embora os sentimentos
melhorem geralmente em conseqüência de comportamentos corretos, a mudança nos
sentimentos não é o objetivo. Diante dessa verdade, os medicamentos podem até
mesmo obstruir o processo ao mudar os sentimentos o suficiente para levar o
aconselhado a desconsiderar os aspectos bíblicos bem mais importantes e as
mudanças que precisam ser feitas. Como os problemas não resolvidos tendem a se
multiplicar, o presente pode ser auspicioso, mas o futuro do aconselhado pode
ser desanimador.
É interessante notar que a literatura
médica concorda com a importância das circunstâncias da vida no desenvolvimento
do transtorno do pânico. Aproximadamente 60-80% das pessoas com ataques do
pânico recordam de algum evento crítico como doença, morte, divórcio ou
conflito familiar, que ocorreu antes do ataque de pânico. Outros descrevem três
estágios desse processo. O primeiro estágio é o ataque de pânico propriamente
dito. O segundo estágio é chamado de “antecipação do pânico” ou medo de ter outro
ataque de pânico. Esse medo está enraizado na crença de que o ataque de pânico
ameaça a vida e precisa ser evitado. O terceiro estágio é evitar o
comportamento ou evitar pessoas ou lugares que o aconselhado acredita que
possam precipitar o ataque. Cada um
desses estágios pode ser interpretado biblicamente, ajudando o aconselhado a
aprender a lidar com o medo, a perda de controle, a preocupação, a ansiedade
etc.
O papel da genética no ataque de
pânico precisa ser mencionado. Enquanto o risco citado de desenvolvimento do
transtorno do pânico é de 1,5
a 2%, estudos indicam que os parentes de primeiro grau de
indivíduos com transtorno do pânico têm um risco de até 25% de também
desenvolver o problema. Apesar do transtorno do pânico ser encontrado com maior
freqüência em certas famílias, mais da metade dos membros dessas mesmas
famílias não têm a síndrome.
Outros fatores como comportamento
aprendido, modelos observados ou dificuldades enfrentadas no ambiente social
também têm papel significativo. Entretanto, não foi identificado um gene específico
ou um segmento codificado do DNA responsável por transmitir o transtorno do
pânico. A tendência maior de ocorrência do transtorno do pânico em certas
famílias não o torna automaticamente um problema genético.
O problema central com a genética no
que diz respeito ao transtorno do pânico, e diversas outras condições médicas,
é quanto de controle ou responsabilidade cada indivíduo tem sobre sua própria
vida. Seu comportamento e ação já foram determinados pela genética, ou o
indivíduo tem liberdade para decidir? O conselheiro bíblico rejeita a
predisposição genética como causa determinante (vulnerabilidade ou fatalismo)
porque ela afirma que as forças naturais têm o controle final do destino e não
conta com a intervenção do sobrenatural. A presença de tendências genéticas não
significa que a autodisciplina é impossível ou que a responsabilidade pessoal
diminui. A informação sobre as tendências familiares pode servir como lembrete
aos pastores e líderes cristãos da necessidade de ensinar biblicamente sobre
esses assuntos.
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