A primeira Bíblia em
português
Os mais antigos registros de tradução
de trechos da Bíblia para o português são do final do século XV, 1495, porém
dezenas de anos se passaram até que a primeira versão completa estivesse
disponível, em três volumes, em 1753.
Em 1628, nascia, em Portugal, João
Ferreira de Almeida. Aos quatorze anos, aconteceram sua conversão ao
protestantismo e sua ida para Malásia. Dois anos depois, João F. Almeida
iniciou um trabalho de tradução do Novo Testamento, baseado nas versões em
italiano, espanhol e latim.
Essa versão nunca foi publicada, mas o
desejo de aprimorar sua obra levou João Ferreira de Almeida a ser ordenado em
1656 e ao estudo do hebraico e grego.
O Padre João Ferreira de Almeida,
título dado aos pregadores religiosos na época, cuidava de algumas igrejas na
região da Malásia e Índia. Junto com sua esposa enfrentou situações difíceis na
região.
Em 1663, Almeida iniciou a tradução do
Novo Testamento direto do grego. Embora o seu trabalho com o grego tenha
terminado somente treze anos depois, durante esse período ele iniciou também a
tradução do Antigo Testamento a partir dos originais em hebraico.
Em 1681, foi publicada na Holanda a
tradução de Almeida do Novo Testamento, porém foi logo recolhida, pois apresentava
erros tipográficos e um trabalho urgente de revisão era necessário.
Uma nova impressão foi finalmente
feita doze anos depois, em 1693.
João Ferreira de Almeida não chegou a
ver o Novo Testamento revisado ser impresso, pois faleceu em 1691, na ilha de
Java, sem terminar também o Antigo Testamento, seu trabalho chegou só até o
Livro de Ezequiel.
A tradução do Antigo Testamento foi
terminada por Jacobus Akker em 1694, mas problemas de revisão novamente
atrasaram a publicação do trabalho. Cinqüenta quatro anos depois, em 1748 foram
publicados, na Holanda, o primeiro volume do Antigo Testamento, e em 1753 o
segundo volume do trabalho iniciado por Almeida.
A primeira impressão da Bíblia
completa, em português, em um único volume, aconteceu em Londres, em 1819, com
a versão de João Ferreira de Almeida.
No final do século XIX foi feita uma
grande revisão na Versão de Almeida. Esse trabalho é conhecido como Bíblia na
Versão Revista e Corrigida de Almeida. Embora com palavras bem eruditas e
construções gramaticais de difícil compreensão, ainda é uma versão muito
apreciada hoje em dia.
Na década de 40 do século XX, uma
comissão de especialistas passou anos revendo a tradução e foi publicada a
Versão Revista e Atualizada de Almeida (1ª edição), a Versão mais lida e
conhecida da Bíblia no Brasil.
Essa duas versões, a Revista e Corrigida
(RC) e Revista e Atualizada (RA), passaram recentemente por atualizações
gramaticais pela Comissão de Tradutores da Sociedade Bíblica do Brasil.
Atualmente, essas Versões são conhecidas como:
* Versão de Almeida Revista e Corrigida, 2ª edição (1995)
* Versão de Almeida Revista e Atualizada, 2ª edição (1993)
* Versão de Almeida Revista e Corrigida, 2ª edição (1995)
* Versão de Almeida Revista e Atualizada, 2ª edição (1993)
Outras Traduções da Bíblia em
Português
Além do trabalho de Almeida, outras
traduções ficaram conhecidas no Brasil.
Versão de Figueiredo, feita, a partir
da Vulgata, pelo Padre católico Antônio Pereira de Figueiredo e publicada em sete
volumes, em 1790, depois de dezoito anos do início do trabalho.
Versão Brasileira, iniciada em 1902 e
terminada em 1917, feita a partir dos originais, produzida por uma comissão de
especialistas e com a colaboração de alguns ilustres brasileiros como
consultores dessa comissão.
Entre eles: Rui Barbosa, José
Veríssimo e Heráclito Graça. Está sendo revisada atualmente para reimpressão
pela Sociedade Bíblica do Brasil.
Versão de Matos Soares, feita em
Portugal, publicada pela primeira vez em 1932.
Versão dos Monges Beneditinos, feita a
partir das línguas originais para o francês, na Bélgica, traduzida do francês
para o português e publicada em 1959.
Versão dos Padres Capuchinhos, feita a
partir das línguas originais para o português, no Brasil, e publicada em 1968.
Bíblia na Linguagem de Hoje Bíblia de
Jerusalém, feita a partir dos originais para o francês, na Bélgica, traduzida
para o português e publicada em 1976.
Bíblia Vozes, traduzida por uma
comissão da Igreja Católica, a partir dos originais para o português, e
publicada em 1982.
Por volta da quarta década deste
século, os cristãos brasileiros, os obreiros nacionais e mesmo missionários
vindos de além-mar começaram a sentir seriamente a necessidade inadiável de uma
nova tradução das Santas Escrituras, mais acurada consoante às línguas
originais e redigida em português mais condizente com o linguajar destes dias.
Ademais, não se podia ignorar que o
rápido avanço da cultura nos campos da geografia, arqueologia, história e
lingüística estava derramando novas luzes sobre cada parte da Bíblia.
Impunha-se uma nova tradução ou mesmo
revisão que fosse, em que os frutos dos melhores estudos sobre filologia sacra
e das pesquisas escriturísticas, destes recentes anos, contribuíssem para que a
Santa Bíblia falasse mais e mais às mentes e aos corações. Pois, na verdade, as
grandes mensagens do Antigo e do Novo Testamento são imprescindíveis nestes
dias confusos e conturbados.
No ano de 1943, as Sociedades Bíblicas
Unidas (organização que nesse tempo operava no Brasil, pouco depois substituída
pela Sociedade Bíblica do Brasil, fundada em 1948), atendendo a esse sentimento
generalizado e às solicitações que partiam de muitos setores da Obra do Senhor,
resolveram criar uma Comissão Revisora constituída dos mais capazes, cultos e
idôneos elementos provenientes das várias confissões evangélicas que laboram
neste país.
Essa Comissão, composta de cerca de
trinta escolhidos especialistas em hebraico, no grego neotestamentário e no
vernáculo, iniciou a santa aventura em 1946 e, durante cerca de treze anos,
trabalhou árdua, piedosa e fielmente, com erudição e com gosto.
E então foi oferecida ao povo
brasileiro uma Edição Revista e Atualizada, calcada sobre a tradicional e quase
tricentenária versão de João Ferreira de Almeida. Essa versão, já de sabor clássico,
tão estimado nos meios evangélicos, foi então inteiramente repassada à luz dos
textos originais.
Onde se fazia necessário, o passo era
posto em linguagem de acordo com o mais escolhido uso corrente, mas que tanto
se evitasse o demasiado vulgar como o demasiado acadêmico e literário.
Timbrou-se em se manter assim uma faixa
lingüística viva, acessível, clara e nobre como convém à Palavra de Deus. É
provável que, aqui e ali, se poderia ter atualizado mais o texto vertido, se
não se tratasse na base, de uma revisão do Almeida antigo e que a Comissão
Revisora deveria seguir tanto quanto possível.
É certo que toda tradução ou revisão
da Bíblia Sagrada, ainda que levada a termo por íntegros peritos bíblicos é
sempre trabalho humano e, como tal, sujeito a falhas; por outro lado, no
entanto, suscetível de melhoria.
Assim sendo, a Sociedade Bíblica do
Brasil, auscultando sugestões dos revisores e de outros interessados, houve por
bem criar uma comissão que, de algum modo, velasse pela obra executada e,
esporadicamente, a aperfeiçoasse, posto que fosse empenho de todos que a Edição
Revista e Atualizada fosse dinâmica e não estática.
E, em boa hora, foi constituída a
Comissão Permanente de Revisão e Consulta (CPRC), com dez doutos membros, que
tem realizado, com paciência, boa vontade e bom senso, valioso trabalho útil e
construtivo.
A CPRC, mediante esta apresentação,
roga a todos os amantes do Livro do Senhor que cooperem com ela intercedendo
junto a Deus em seu favor e, quando achar conveniente, enviando, por intermédio
da Sociedade Bíblica do Brasil, suas observações atinentes à Edição em apreço,
quanto à tradução, quanto ao vernáculo e quanto à parte gráfica.
A Sociedade Bíblica do Brasil
declara-se sinceramente grata pelo devotado labor dos revisores que puseram seu
talento e seu tempo nesta grandiosa empreitada.
Cordiais ações de graças rendemos ao
Altíssimo, que nos susteve e sustém nesta tarefa. Entregamos ao povo sequioso
da verdade a Verdade Revelada, com a ardente esperança de que esta Edição seja
poderoso instrumento para que se cumpram os santos propósitos do Senhor!
Rio de Janeiro, maio de 1975.
A Versão Brasileira
A Bíblia no Brasil, N. 159, 1991, p.
20
"Conhecida por sua fidelidade aos
textos originais, a primeira tradução da Bíblia feita no Brasil chegou a ser
chamada de "tira-teimas"
Em 1917, durante a Primeira Guerra
Mundial, foi lançada a primeira tradução da Bíblia realizada no Brasil. Era a
Versão Brasileira, como ficou conhecida (ou simplesmente pela abreviação VB),
feita a partir dos textos originais gregos e hebraicos.
A nova tradução não demorou a receber
críticas e elogios. Alguns consideraram a Versão Brasileira literal demais e
também não aprovaram a maneira como a tradução trazia escritos os nomes dos
lugares e dos personagens bíblicos - diferente da consagrada e geralmente
aceita nas versões portuguesas, utilizadas no País até aquela data.
Apesar dessas restrições, figuras
importantes da época fizeram elogios à Versão Brasileira, ressaltando, em
especial, a sua fidelidade. José Carlos Rodrigues, dono e redator do
"Jornal do Commercio", o diário mais respeitado do Rio de Janeiro no
começo do século, fez o seguinte comentário a respeito da VB, comparando-a com
a tradução portuguesa de Antonio Pereira Figueiredo: "Perde um pouco do
belo português de Figueiredo, porém ganha na fidelidade ao sentido
original."
O Dr. William Carey Taylor, professor
de Grego Neotestamentário e autor do livro "Introdução ao Estudo do Novo
Testamento Grego", compartilhava da opinião de José Carlos Rodrigues sobre
a tradução. "É uma das versões mais fiéis aos originais que tenho lido em
qualquer língua."
Essa elogiada fidelidade acabou dando
origem a uma brincadeira comum em alguns seminários brasileiros, onde a VB era
chamada de TT - a "tira-teimas".
Comissão de celebridades
Os trabalhos da Comissão Tradutora começaram
por volta de 1902, sob o patrocínio da Sociedade Bíblica Britânica e
Estrangeira (de Londres) e da Sociedade Bíblica Americana (de Nova Iorque),
responsáveis pela distribuição das Escrituras Sagradas no País durante o
período anterior à fundação da Sociedade Bíblica do Brasil (1948).
Os tradutores destacados para a
realização do projeto foram três missionários americanos - Rev. John Rockwell
Smith, Rev. John M. Kyle (ambos presbiterianos) e Rev. William Cabell Brown
(episcopal) - e três pastores brasileiros - o famoso filólogo Eduardo Carlos
Pereira, o matemático Antonio Bandeira Trajano (presbiterianos), e Hipólito de
Oliveira Campos (metodista).
A Comissão escolheu o Rev. William
Cabell Brown como seu presidente e relator. Mais tarde, em 1913, o Rev. Brown
voltou para os Estados Unidos, e o Rev. Eduardo Carlos Pereira o substituiu no
cargo.
Participaram ainda das atividades da
Comissão o poeta gaúcho Mário Artagão e dois escritores: Virgílio Várzea e
Alberto Meyer. Outras grandes personalidades da literatura brasileira - como
Ruy Barbosa, Heráclito Graça e José Veríssimo - também contribuíram, por
diversas vezes, na elaboração da Versão Brasileira, como consultores.
"Versão Fiel"
A tradução do Antigo Testamento foi
baseada no texto hebraico de "Letteris", e a do Novo Testamento, no
texto grego de "Nestle". Como fontes de consulta, a Comissão utilizou
a "King James Version" (a mais conhecida tradução da Bíblia em
inglês), Edição Revista de 1866, as traduções portuguesas de Antonio Pereira de
Figueiredo e João Ferreira de Almeida, além da italiana de Diodatti, da
francesa de Ostervald e da espanhola de Reina-Valera. A "Septuaginta"
e a "Vulgata Latina", traduções clássicas, também foram consultadas.
Os primeiros livros a serem publicados
na nova versão foram os Evangelhos de Mateus e Marcos, em 1904. Tratava-se de
uma edição para testar a aceitação dos leitores - e que foi recebida com
algumas críticas. O fato levou a Comissão Tradutora a rever o texto de Mateus,
o qual, já revisado, voltou a ser publicado em 1905. Os demais livros foram
sendo editado aos poucos até a publicação da Bíblia completa, o que aconteceu
15 anos depois de iniciado o trabalho.
A Versão Brasileira nunca sofreu
qualquer revisão, correção ou aperfeiçoamento na linguagem. Com o passar dos
anos, foi sendo substituída pela tradução de João Ferreira de Almeida na
preferência da população evangélica. Mais tarde, teve a sua produção desativada
pelas Sociedades Bíblicas que haviam idealizado e patrocinado seu projeto.

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