Projeto de
pastor para viciados em crack já recuperou 1,5 mil pessoas
O projeto
da Igreja Evangélica Batista foi idealizado há cinco anos pelo pastor Humberto,
um ex-usuário de cocaína; Atualmente, são 380 internos em tratamento e mais de
1.500 totalmente recuperados.
Pois é.
Nos dias de hoje quem se habilita a ajudar, por exemplo, gente já abandonada
por quase todo o mundo caída no inferno das drogas? Aqui na região da
Cracolândia, em São Paulo, há cristãos enfrentando esse desafio todo santo dia.
Muitos
são ex-drogados, no último estágio de um processo de recuperação. O projeto da
igreja evangélica batista, que ganhou o nome de Cristolândia, foi idealizado há
cinco anos, por um pastor. Ele próprio um ex-usuário de cocaína, limpo há 28
anos.
"Aqui
não existe religião, aqui não existe cor, nada. Pode vir todo mundo, entra,
toma café, almoça, janta com a gente. Nós os temos como parte da família, são
os nossos irmãos em Cristo. Então, eu não vou jogar meu irmão na rua. Então,
aqui ele não tem pressa de ir embora. Aqui o tratamento é lento porque as
drogas deixaram muitas seqüelas, e eu acho que é passo lento", diz o
pastor Humberto Machado, 1ª Igreja Batista de São Paulo.
As
calçadas próximas amanhecem cheias de gente. Sempre há gente nova, mas também
muitos que ainda não decidiram mudar de vida. Para todos, o acolhimento é o
mesmo.
Comida,
banho, roupa limpa, conversa para quem quer conversar.
Depois,
os veteranos, de camiseta amarela, usam a música para tocar os corações e
buscar lá dentro um pouco de esperança. Lá nasceu o coral da Cristolândia, que
já tem 400 integrantes entre São Paulo e Rio de Janeiro.
Somando o
pessoal dos projetos de Recife, Brasília e Belo Horizonte, já são quase 800
vozes.
E tudo começou por acaso, um dia, conta o filho do pastor.
"A
gente resolveu do nada pegar um violão e cantar ‘Nada Além do Sangue' no final,
e a Igreja chorou. Foi um chororô vendo esses meninos levantando as mãos,
dizendo que é livre. E aí só foi mais bênção e mais homens entrando nesse
coral", conta Gerson Gabriel.
Os de
branco estão no começo. Vieram ontem, dormiram aqui e serão encaminhados a uma
fazenda do projeto para começar o tratamento, sem remédios, que podem durar
dois anos. Uma decisão e tanto, que a música favorece.
"Toca
o coração da gente, sabe? A bondade, a paz, a tranqüilidade que esse lugar nos
traz. Entendeu? É gostoso isso. A gente se sente bem, se sente livre, essa é a
verdade", diz Olindo Gonçalves.
"Pretendo
continuar o resto da minha vida aqui. Porque fui tentar me reintegrar à
sociedade e não consegui. Para mim, só a obra de Deus mesmo. Porque é através
do vazio que a gente acaba indo para as drogas, achando que a droga vai
preencher o vazio, mas não é. É Deus que preenche", declara Wagner Gomes.
Quem chega ao fim do tratamento é livre para seguir seu próprio caminho ou continuar por aqui, ajudando. Muita gente fica.
Quem chega ao fim do tratamento é livre para seguir seu próprio caminho ou continuar por aqui, ajudando. Muita gente fica.
"Eu
sou livre, eu sou livre... Nada além do sangue, nada além do sangue de
Jesus", canta o pastor.
A canção
que deu origem ao coral é de um dos maiores astros do gospel no Brasil: o
Pastor Fernandinho.
Em um
show, numa grande casa de espetáculos do Rio de Janeiro, o coral da
Cristolândia foi convidado a se apresentar. Dezoito mil pessoas cantaram junto.
O ritmo é
rock'n'roll, até bem pesado, às vezes. As canções, dessas que não saem mais da
cabeça. "Ela pode ser uma isca, né? Na verdade, é muito mais do que a
religião em si, mas para o que a gente prega que é Jesus Cristo; colocar Jesus
Cristo na vida das pessoas", diz Fernando dos Santos Junior, pastor da
Igreja Batista.
O pastor
mora com a família em Campos, no interior do Rio de Janeiro. E se apresenta
toda quinta-feira em um templo da Igreja Batista, novinho em folha.
"Os
cultos já eram muito lotados, mas se tornaram impossíveis continuar no templo
antigo, que não é um templo pequeno. Mas aí tivemos que, pela afluência tão
grande de gente, fazer o templo novo aqui. São 2750 cadeiras. Já está
lotado", declara o Pastor Éber Silva, 2ª Igreja Batista de Campos dos
Goytacazes, no Rio de Janeiro.
A maioria é
de jovens entre os fiéis.
"Eles
querem algo que mexa com a cabeça deles, algo que preencha o coração deles. E
isso se chama Jesus Cristo", diz Fernandinho.
"Então,
na hora da palavra mesmo, eles param, escutam, e muitos jovens saem de lá
transformados. Revendo muitas coisas na vida", diz Paula Cristina.
A
parceria do casal vem de longe. Da juventude dentro da igreja e da descoberta
de que compartilhavam um projeto.
"A
Bíblia diz que a fé sem obras, ela é morta. Ou seja, se eu digo que acredito em
alguma coisa, eu tenho que viver de acordo com aquilo que eu acredito. Quando
eu digo que sou um cristão evangélico, eu não estou falando que eu sou um
inimigo do católico. De forma alguma. Apenas eu olho de uma janela diferente",
explica Fernandinho.
O pastor
da Cristolândia segue essa mesma linha e acha que as igrejas só serão
eficientes no mundo atual se conseguirem abrir efetivamente as portas para o
próximo.
"Você
encontra boates, motéis, bares, traficantes, drogados, só não encontra a
Igreja. Todas elas estão fechadas. Então, um traficante me olhou, logo no
começo do trabalho, ‘por que chama a Igreja de hospital? ' É um hospital
fechado e eu dou atendimento 24 horas. E aí eu tomei uma decisão de abrir uma
Igreja 24hs, de atendimento dia e noite. E daí, nós iniciamos esse
trabalho", conta o Pastor Humberto.
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