Fé
Adauto Lourenço
O cristianismo é sem dúvida extremamente coerente.
Suas estruturas doutrinárias, lógicas e racionais dão a ele uma base teológica
sem paralelos. No entanto, a sua consistência tem sido muito atacada pela
ciência durante os últimos 150 anos.
O livro de Gênesis, com o seu relato sobre a
criação, tem sido colocado num plano de completo descrédito, chegando até por
muitos a ser considerado pura mitologia. Portanto, a pergunta que muitos fazem
e buscam por uma resposta autêntica e relevante é: É possível reconciliar a
Bíblia com a Ciência? Uma pergunta melhor seria: É possível reconciliar a
Bíblia com a Ciência sem comprometer a integridade de cada uma? Para uma grande
maioria a resposta seria não.
No entanto, temos que verificar de uma forma mais
ampla o que está implícito nesta pergunta. Para que a Bíblia e a Ciência possam
ser reconciliadas, é necessário que a comparação tenha uma base sólida e que
não comprometa a integridade de ambas as partes. Para que isso aconteça, a
ciência deve estar devidamente estabelecida e a Bíblia deve ser corretamente
interpretada.
Primeiramente, o que seria então uma ciência
devidamente estabelecida? Quando falamos da ciência, estamos falando,
geralmente, de uma área de conhecimento ou de um grupo de disciplinas
interligadas. Na verdade, falamos das suas proposições científicas, ou seja,
propostas dadas pela ciência que ofereçam uma explicação sobre algo da
natureza.
A lei da gravidade é um exemplo. Ela oferece uma
explicação do "por quê" as coisas "caem" (na verdade ela
explica a maneira pela qual os corpos ou massas se atraem). Dentro dessas
proposições, hipóteses e teorias não podem ser consideradas com ciência devidamente
estabelecida.
A teoria da relatividade, por exemplo, oferece
muitas explicações, mas não recebeu até o momento a qualificação de lei da
relatividade. A razão é que ela ainda terá que passar por muitos testes.
Se estes testes confirmarem as propostas da teoria
da relatividade, não havendo mais nenhum outro teste relevante que possa ser
feito para questionar a sua validade, a mesma receberá a qualificação de lei da
relatividade. Portanto, comparar a Bíblia, ou mesmo desenvolver uma
interpretação textual bíblica baseada em teoria ou hipótese científica, é, em
última análise um grave erro. A ciência (ou proposta científica) deve estar
devidamente estabelecida. Ela não pode ter a qualificação de hipótese ou teoria
científica.
Um exemplo claro nesta área é a utilização da
teoria da evolução como parâmetro para interpretação de Gênesis capítulo 1. A
teoria da evolução não passa de uma teoria. Por mais elaborada que seja, ainda
não foi provada e, portanto, não pode ser utilizada como base de comparação e
mesmo de interpretação das Escrituras. Mas como saber se a Bíblia está sendo
corretamente interpretada? Uma regra básica da hermenêutica é A Bíblia
interpreta a própria Bíblia. Como interpretar os dias de Gênesis? Dias literais
ou eras?
A palavra hebraica "yom", por ter um
significado que pode ser interpretado tanto como dia literal ou como era, não
oferece uma conclusão final, se bem que a inclusão de tarde e manhã deixa claro
que está se tratando de um período de 24 horas. O quarto mandamento, no
entanto, é o que nos dá a resposta da interpretação correta sobre os dias da
criação. Nele, o Senhor Deus nos manda guardar um dia em sete. Qual o período
deste "um dia"? 24 horas? Milhares de anos? Milhões de anos?
A interpretação do período dos seis primeiros
determina a quantidade de tempo do sétimo dia a ser guardado. Sabemos que as
Escrituras tratam do dia de descanso como sendo um período de 24 horas e não de
"eras".
Portanto, a interpretação
de "yom" em Gênesis 1 é de um período de 24 horas.
Mas isto não é coerente com a proposta da teoria da
evolução? Correto! A teoria da evolução precisa primeiramente ser provada como
sendo verdadeira. Até o presente momento, a evidência acumulada é contra ela.
Portanto, Toda Ciência devidamente estabelecida e
Toda a Bíblia corretamente interpretada Nunca cairão em contradição. Como
ilustração, veja a declaração de Teophilus (Teófilo), um dos pais da Igreja e
bispo de Antioquia (181 a.D.): No
quarto dia os luminares foram criados. Sendo que Deus vê de antemão, Ele
entendeu a tolice dos filósofos cretinos que iriam dizer que as coisas
produzidas na terra vieram das estrelas, de forma que eles poderiam colocar
Deus de lado. Mas para que a verdade pudesse ser demonstrada, plantas e
sementes foram criadas antes das estrelas. Assim sendo, o que veio depois não
pode ser a causa daquilo que veio antes.
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