A Luz Proveniente de Estrelas Distantes Prova
Que O Universo É Antigo?
“A coisa mais incompreensível a respeito do
Universo é que ele é compreensível.”
Albert Einstein
Vivemos num universo imenso que contém galáxias que se
encontram a bilhões de anos-luz de distância. O fato da luz destas galáxias
chegar até nós tem sido usado como evidência a favor de um universo com uma
idade de aproximadamente 14 bilhões de anos.
As técnicas utilizadas pelos astrônomos para medir
distâncias cósmicas poderiam ser questionadas. No entanto, elas são geralmente
lógicas e corretas e nãos se baseiam em pressuposições evolucionistas do
passado. Além do mais elas fazem parte da ciência observacional, sendo
presentemente testáveis e duplicáveis.
Criacionistas ao produzir modelos de uma terra e um
universo jovens, com cerca de milhares de anos e não milhões ou bilhões de
anos, são, de uma forma geral, criticados por não levar em consideração
questões “tão simples” como o tempo de viagem da luz vinda de pontos muito
distantes do universo.
Assim sendo, uma breve avaliação sobre o tempo de viagem
da luz se faz necessário para a validação dos modelos criacionistas de uma
terra e um universo ainda jovens.
As Pressuposições dos Argumentos do Tempo de
Viagem da Luz
Qualquer tentativa científica que tente estimar a idade
de qualquer coisa envolverá necessariamente um certo número de pressuposições.
Estas pressuposições podem estar relacionadas com as condições iniciais, a
constância de certas proporções, contaminação do sistema e muitas outras, e,
portanto, serem incorretas. Muitas vezes uma cosmovisão errada pode também ser
a causa de pressuposições incorretas.
A luz distante das estrelas apresenta várias
pressuposições que são questionáveis – nenhuma das quais faz com que necessariamente
o argumento esteja errado.
A Constância da Velocidade da Luz
Assume-se atualmente que a velocidade da luz é constante
em função do tempo. Atualmente, no vácuo, ela demoraria um ano para percorrer
aproximadamente 9,5 trilhões de quilômetros.
Se assumirmos que esta velocidade tem sido constante
durante toda a existência do universo, poderemos incorrer no erro de acharmos
uma idade muito mais antiga para o universo do que a idade real.
Por outro lado, a velocidade da luz não é um parâmetro
arbitrário. Em outras palavras, se mudarmos a velocidade da luz, outras coisas
também mudariam, como a proporção entre energia e massa de um sistema, e as
demais constantes que estão relacionadas com esta velocidade.
Portanto, se for alterada a velocidade da luz, o impacto
que isto causaria no universo, na terra e na vida seria algo não imaginável.
A Pressuposição da Rigidez do Tempo
A pressuposição de que o tempo se move de forma constante
em todas as condições, obedecendo a uma forma rígida não é verdadeira. Existem
maneiras através das quais a não rigidez do tempo pode permitir que a luz
proveniente de pontos muito distantes chegue até nós numa escala de tempo
relativamente pequena.
Albert Einstein descobriu que movimento e gravidade
afetam a passagem do tempo. Por exemplo, quando um objeto está num movimento
muito próximo ao da velocidade da luz, o seu tempo é desacelerado. Isto é
chamado de dilatação do intervalo de tempo. O mesmo se dá com a medição do
intervalo de tempo entre um relógio posicionado ao nível do mar e um outro numa
montanha. O relógio posicionado ao nível do mar, por estar mais próximo da
fonte da gravidade, teria também o seu tempo desacelerado.
Portanto, um mesmo evento no passado poderia ter ocorrido
num longo período de tempo para um observador, e num curto período de tempo
para um outro observador. Por exemplo, a luz das estrelas que demoraria bilhões
de anos para chegar até nós (medida por relógios posicionados no espaço
profundo – “deep space clocks”) chegaria à Terra em alguns milhares de anos,
medida por relógios daqui. Isto ocorreria naturalmente se a Terra estivesse
numa cavidade gravitacional (“gravitational well”).
Suponhamos que o sistema solar esteja localizado próximo
do centro de um número finito de galáxias. Esta proposta é totalmente
consistente com a evidência e, portanto, uma possibilidade perfeitamente
razoável.
Neste caso, a Terra estaria localizada nesta cavidade
gravitacional. Isto significa que muita energia teria que ser utilizada para
levar algo para uma posição distante desse centro. Nessa cavidade
gravitacional, nós não sentiríamos nenhum efeito gravitacional anormal, mas os
nossos relógios estariam desacelerados (muito mais lentos) quando comparados
com os relógios posicionados em outros pontos distantes.
Sendo que a expansão do universo é aceita pela maioria
dos astrônomos atuais, o universo teria sido menor no passado, fazendo com que
a diferença entra os relógios na terra apresentassem uma desaceleração quando
comparados com relógios em pontos distantes do universo. Assim sendo, a luz
proveniente de galáxias distantes teria chegado até a terra em apenas alguns
poucos milhares de anos, quando medida por relógios na terra, em comparação com
bilhões de anos, quando medida por relógios distantes da terra.
A Pressuposição de Sincronização
Uma outra maneira pela qual a relatividade do tempo é
importante, é a sincronização: como fazer com que relógios mostrem o mesmo
tempo e ao mesmo tempo. A teoria da relatividade tem mostrado que tal
sincronização não é absoluta. Por exemplo, um observador num plano de
referência poderia ver dois relógios sincronizados ao passo que um outro
observador, num plano de referência diferente, não os veria sincronizados.
Portanto, quando se trata de sincronização de relógios separados por uma
distância qualquer (pequena ou quase infinita), não existe um método pelo qual
tal sincronização possa ser feita no sentido absoluto, de tal maneira que todos
os observadores iriam concordar, independente do movimento.
Um exemplo simples seria um avião levantando voo às 14:00
horas e pousando precisamente às 14:00 horas. Sendo que o avião aterrissou no
mesmo tempo em que levantou voo, esta viagem seria instantânea. Como seria
possível? A resposta está no fuso horário. Imagine um avião partindo de Brasília
às 14:00 horas (horário local) e chegando em Cuiabá às 14:00 horas (horário
local). A hora marcada em Cuiabá é uma a menos que a de Brasília (consideramos
que o avião voa rápido o suficiente para percorrer a distância em uma hora).
Para um passageiro a viagem teria demorado uma hora (tempo universal), mas para
um observador em Cuiabá, o avião teria chegado na mesma hora em que partiu
(tempo local).
Existe um equivalente cósmico entre o tempo local e o
tempo universal. Luz viajando em direção à Terra é equivalente a um avião
viajando no sentido oeste (Brasília a Cuiabá), O tempo local permaneceria
sempre o mesmo. Se usarmos o tempo cósmico universal, a luz levaria 100 anos
para percorrer 100 anos-luz.
De acordo com a teoria da relatividade de Einstein, a luz
não experimenta a passagem do tempo, sendo a sua viagem instantânea. Portanto,
luz vinda da extremidade do universo chegaria instantaneamente aqui ao passo
que nós acharíamos que ela teria levado bilhões de anos.
O Tempo de Viagem da Luz: Um Argumento que
Refuta a Si Mesmo
A própria teoria do big bang possui um problema seríssimo
com a questão do tempo de viagem da luz. De acordo com este modelo, a luz teria
que percorrer uma distância muito acima da que lhe é permitida, dentro de um
período de 14 bilhões de anos (idade do universo proposta pela teoria do big
bang). Esta dificuldade é conhecida como o “problema do horizonte”.
De acordo com a teoria do big bang, quando o universo era
ainda bastante jovem e muito pequeno, ele desenvolveu pequenas diferenças
locais de temperaturas (sem isso corpos celestes como estrelas e galáxias não
poderiam ter se formado). Vamos assumir teoricamente que neste início de
universo haveria, portanto, dois pontos: A (quente) e B (frio). Hoje, bilhões
de anos depois deste período, o universo expandiu de tal forma que os pontos A
e B estão muito distantes um do outro. No entanto, temos visto por meio da
radiação de fundo (Cosmic Background Radiation) que a temperatura, mesmo a
distâncias imensas, é praticamente a mesma: 2,7 K (270°C negativos). Isto
significa que os pontos A e B possuem a mesma temperatura hoje.
Mas isso somente seria possível se eles tivessem trocado
energia. E a maneira mais rápida de trocar energia é através de radiação
eletromagnética. No entanto, essa troca teria que ter ocorrido múltiplas vezes
durante a existência do universo para que um equilíbrio térmico fosso atingido
(como observado através da temperatura uniforme da radiação de fundo). Dado o
tamanho do universo – a distância e a quantidade de vezes entre dois pontos que
a luz teria que ter percorrido durante os supostos 14 bilhões de anos – a
velocidade da luz não teria sido suficiente para que tal temperatura uniforme
existisse.
Uma solução proposta para a teoria do big bang é o que se
chama de período inflacionário. O universo no seu início teria expandido dentro
dos limites conhecidos pela ciência. Em seguida ele teria entrado num período
inflacionário, através do qual teria chegado às dimensões atuais. Esta proposta
não possui nenhuma evidência, não sendo nada mais que uma pura conjectura. (Não
existe nenhuma evidência do que poderia ter dado início a esse período e muito
menos o que teria feito com que ele chegasse ao fim de forma suave para manter
intacta a estrutura observada no universo atualmente.)
Conclusão
Assim sendo, o problema do tempo de viagem da luz
permanece uma questão aberta para a discussão científica. Aceitar uma idade
antiga para o universo (teoria do big bang), apenas porque a luz de corpos
celestes localizados a bilhões de anos-luz tem chegado até nós, é uma questão
de preferência por um modelo de idade antiga por um outro modelo de idade
recente. Esta preferência não se dá por méritos científicos mas sim por
pressuposições e posicionamento filosófico pessoal de cada cientista ou
pesquisador.
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