A História de Moisés
Moisés era filho de Anrão
(da tribo de Levi) e Joquebede; era irmão de Arão e Miriã. Nasceu durante os
terríveis anos em que os egípcios decretaram que todos os bebês do sexo
masculino fossem mortos ao nascer. Seus pais o esconderam em casa e depois o
colocaram no meio da vegetação, na margem do rio Nilo, dentro de um cesto de
junco.
A descoberta daquela
criança pela princesa, filha de Faraó, foi providencial e ela salvou a vida do
menino. Seu nome, que significa “aquele que tira” é um lembrete desse começo
obscuro, quando sua mãe adotiva lhe disse: “Eu o tirei das águas”. Mais tarde,
o Senhor o chamou para ser líder, por meio do qual falaria com Faraó, tiraria
seu povo do Egito e o levaria à Terra Prometida.
No processo desses eventos,
Israel sofreu uma transformação, pois deixou de ser escravo de Faraó para ser o
povo de Deus. Os israelitas formaram uma comunidade, mais conhecida como o povo
da aliança, estabelecida pela graça e pela soberania de Deus (veja Aliança). O
Antigo Testamento associa Moisés com a aliança, a teocracia e a revelação no
monte Sinai. O grande legislador foi o mediador da aliança mosaica [do Sinai]
(Ex 19.3-8; 20.18,19).
Esse pacto foi uma
administração da graça e das promessas, pelas quais o Senhor consagrou um povo
a si mesmo por meio da promulgação da Lei divina. Deus tratou com seu povo com
graça, deu suas promessas a todos que confiavam nele e os consagrou, para
viverem suas vidas de acordo com sua santa Lei. A administração da aliança era
uma expressão concreta do reino de Deus. O Senhor estava presente com seu povo
e estendeu seu governo especial sobre ele. A essência da aliança é a promessa:
“Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo” (Ex 6.7; Dt 29.13; Ez 11.20).
Moisés foi exaltado por meio de sua comunhão especial com o Senhor (Nm 12.6-8;
Dt 34.10-12).
Quando Arão e Miriã
reclamaram contra a posição privilegiada que ele ocupava, como mediador entre
Yahweh e Israel, ele nada respondeu às acusações (Nm 12.3). Pelo contrário, foi
o Senhor quem se empenhou em defender seu servo (Nm 12.6-8). O Senhor confirmou
a autoridade de Moisés como seu escolhido, um veículo de comunicação: “A ele me
farei conhecer... falarei com ele...” (v. 6; veja Dt 18.18). Separou-o como
“seu servo” (Ex 14.31; Dt 34.5; Js 1.1,2) — uma comunhão de grande confiança e
amizade entre um superior e um subalterno. Moisés, de maneira sublime,
permaneceu como servo de Deus, mesmo depois de sua morte; serviu como “cabeça”
da administração da aliança até o advento da Nova aliança no Senhor Jesus
Cristo (Nm 12.7; veja Hb 3.2, 5).
De acordo com este
epitáfio profético de seu ministério, Moisés ocupou um lugar único como amigo
de Deus. Experimentou o privilégio da comunhão íntima com o Senhor: “E o Senhor
falava com Moisés” (Ex 33.9). A diferença fundamental entre Moisés e os outros
profetas que vieram depois dele está na maneira direta pela qual Deus falava
com este seu servo. Ele foi o primeiro a receber, escrever e ensinar a
revelação do Senhor. Essa mensagem estendeu-se por todos os aspectos da vida,
inclusive as leis sobre santidade, pureza, rituais, vida familiar, trabalho e
sociedade. Por meio de Moisés, o Senhor planejou moldar Israel numa “comunidade
separada”. A revelação de Deus os tornaria imunes às práticas detestáveis dos
povos pagãos, inclusive a adivinhação e a magia. Esta palavra, dada pelo poder
do Espírito, transformaria Israel num filho maduro.
A posição e a revelação de Moisés prefiguravam a posição única de Jesus. O grande legislador serviu ao reino de Deus como um “servo fiel” (Hb 3.2,5), enquanto Cristo é “o Filho de Deus” encarnado: “Mas Cristo, como Filho, sobre a sua própria casa” (Hb 3.6). Moisés, como o Senhor Jesus, confirmou a revelação de Deus por meio de sinais e maravilhas (Dt 34.12; veja também Ex
Deles são os patriarcas, e
deles descende Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito
eternamente. Amém” (Rm 9.4,5) Moisés, o maior de todos os profetas antes da
encarnação de Jesus, falou sobre o ministério de outro profeta (Dt 18.15-22).
Foi testemunha de Deus para Israel de que um cumprimento ainda maior os
aguardava: “Moisés, na verdade, foi fiel em toda a casa de Deus, como servo,
para testemunho das coisas que se haviam de anunciar” (Hb 3.5). A natureza
desse futuro não era nada menos do que o resto que viria (Hb 4.1-13) em Cristo,
por causa de quem Moisés também sofreu (Hb 11.26). A esperança escatológica da
revelação mosaica não é nada menos do que a presença de Deus no meio de seu
povo.
A escatologia de Israel
começa com as alianças do Senhor com Abraão e Israel. Moisés — o servo de Deus,
o intercessor, o mediador da aliança — apontava para além de sua administração,
para uma época de descanso. Ele falou sobre este direito e ordenou que todos os
membros da comunidade da aliança ansiassem pelo descanso vindouro na celebração
do sábado (heb. “Descanso”), o sinal da aliança (Ex 31.14-17) e da consagração
de Israel a uma missão sagrada (Ex 31.13), a fim de serem abençoados com todos
os dons de Deus na criação (Dt 26.18,19; 28.3-14).
Moisés percebeu
dolorosamente que o povo não entraria naquele descanso, devido à sua
desobediência e rebelião (Dt 4.21-25). Ainda assim, falou sobre uma nova
dispensação, aberta pela graça de Deus, da liberdade e da fidelidade (Dt
4.29-31; 30.5-10: 32.39-43). Ele olhou para o futuro, para uma época de paz, tranquilidade
e plena alegria na presença de Deus, de bênção e proteção na Terra Prometida
(Dt 12.9,10; 25.19; Ex 33.14; Js 1.13).
Essa esperança,
fundamentada na fidelidade de Deus (Dt 4.31), é expressa mais claramente no
testemunho final de Moisés, “o Hino do Testemunho” (Dt 32). Nele, o grande
legislador recitou os atos do amor de Deus em favor de Israel (vv.1-14),
advertiu contra a rebelião e o sofrimento que isso acarretaria (vv.15-35) e
confortou os piedosos com a esperança da vingança do Senhor sobre os inimigos e
o livramento do remanescente de Israel e das nações (vv. 36-43). Fez até uma
alusão à grandeza do amor de Deus pelos gentios! (Vv. 36-43; Rm 15.10). O
significado escatológico do Hino de Moisés reverbera nas mensagens proféticas
de juízo e de esperança, justiça e misericórdia, exclusão e inclusão, vingança
e livramento.
A administração mosaica,
portanto, nunca tencionou ser um fim em si mesma. Era apenas um estágio na
progressão do cumprimento da promessa, aliás, um estágio importantíssimo! Como
precursor da tradição profética, Moisés viu mais da revelação da glória de Deus
do que qualquer outro homem no Antigo testamento (Ex 33.18; 34.29-35). Falou
sob a autoridade de Deus. Qualquer um que o questionasse desafiava a autoridade
do Senhor. Israel encontrava conforto, graça e bênção, porque em Moisés se
reuniam os papéis de mediador da aliança e intercessor (Ex 32.1 a 34.10; Nm 14.13-25).
Ele orou por Israel, falou
ousadamente como seu advogado diante do Senhor e encorajou o povo a olhar além
dele, próprio, para Deus (veja Profetas e Profecias).
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