Aconselhando pessoas com
ataque de pânico
Robert Smith
Dr. Daniel Wickert, médico cristão que
fez uma extensa pesquisa na área de ataques de pânico, mostrou em seu artigo
Pânico, Genes e Farmacoterapia que
não há evidência conclusiva na medicina de que tais ataques tenham base orgânica
ou sejam herdados geneticamente. Seus comentários nos ajudam abrindo o caminho
para uma discussão sobre a resposta de Deus para aqueles que vivem a condição atualmente
identificada como “transtorno do pânico”.
Nos encontros iniciais, é
especialmente importante que o conselheiro ofereça esperança bíblica. É comum
que os aconselhados descrevam esses episódios como “Fiquei aterrorizado”
“Fiquei paralisado de medo” “Eu estava fora de controle” ou “Não podia fazer
nada”. Como resultado, muitos concluem que não há esperança para eles, que qualquer
mudança é apenas ilusória e, muito provavelmente, inatingível.
Situações como essas são oportunidades
maravilhosas para ministrar as Escrituras que falam do “Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus
de toda consolação. É ele que nos conforta em
toda a nossa tribulação” (2 Co 1.3,4). Além de ouvir as verdades
bíblicas que dão esperança, os aconselhados podem também se beneficiar dos
testemunhos escritos ou gravados de outros irmãos ou irmãs em Cristo que superaram
o mesmo problema com a ajuda de Deus e Sua Palavra.
O conselheiro pode dar esperança
ensinando também que a frase “ataque de pânico” é um termo relativamente novo
para uma condição que não é causada por alguma doença do corpo. Trata-se apenas
uma descrição de sintomas. O uso do termo “ataque de pânico” pode levar a
algumas conclusões erradas. O aconselhado pode pensar que se trata de um
problema médico, que precisa ser tratado com remédios. Também faz com que o
ataque pareça ser alguma coisa que “sobrevém” à pessoa sem que possa ser por
ela controlado. A Bíblia chama esses sintomas de “medo” e “ansiedade”. Usar uma
terminologia bíblica dá esperança e permite ao aconselhado procurar e receber
ajuda para encontrar respostas bíblicas.
Como os conselheiros bíblicos
trabalham no contexto de uma igreja local, eles podem ajudar o aconselhado a
ganhar esperança envolvendo-o com outras pessoas dentro do corpo de Cristo que
possam orar por ele e com ele, que possam ajudá-lo a cumprir tarefas práticas e
encorajá-lo a caminhar no processo do aconselhamento. Sem dúvida, para ter
esperança é preciso que o aconselhado seja salvo. Faz-se necessário verificar seu
relacionamento com Deus mediante Cristo na fase inicial do aconselhamento. A
combinação dessas fontes de esperança promove o contexto ideal no qual o
aconselhado será capaz de combater seu medo e ansiedade com a verdade bíblica.
Em seguida, como em todos casos de
aconselhamento, deve haver muita coleta de dados. O conselheiro deve descobrir
quando a pessoa fica amedrontada e ansiosa. Para isso, ele pode solicitar que o
aconselhado registre todas as vezes que passa pela experiência de pânico e
responda quatro perguntas:
l. O que
desencadeou o episódio?
2. O que você
pensou?
3. O que
você fez?
4. O que
você queria ou desejava?
Depois que essas informações forem
colhidas, é hora de ajudar o aconselhado a comparar seus hábitos mentais com as
verdades bíblicas. Quase sempre, muitos padrões errados de pensamento aparecem.
Por exemplo, o aconselhado pode ter pensamentos como:
- “Eu sei
que vou bater o carro.”
- “Não vou
sair de casa porque não tem nada pior do que ficar envergonhado.”
- “Não
suporto a idéia de morrer.”
- “Eu sei
que meu filho vai se machucar.”
É possível que o aconselhado não veja
nada de errado em tais pensamentos nem perceba sua ligação com os “ataques de
pânico”.
Como o conselheiro bíblico ouviu com
cuidado o aconselhado, ele pode agora ajudá-lo a avaliar biblicamente seus
pensamentos habituais e chegar a algumas conclusões.
Primeiro, pensamentos como esses são
mentiras e não estão de acordo com passagens bíblicas como Filipenses 4.8 “tudo
que é verdadeiro, tudo que é puro...seja isso que ocupe o vosso
pensamento.” Segundo esses pensamentos
são egoístas. 1 João 4.18, uma passagem importante para aqueles que têm medo e
ansiedade, afirma que “o amor lança fora o medo”. O medo coloca o foco no “eu”
enquanto o amor centraliza-se em servir a Cristo e aos outros.
Em geral, as pessoas que apresentam ataques
de pânico não controlam seus pensamentos com a verdade bíblica. Elas precisam
confessar essa “mordomia deficiente da mente” como pecado, pedindo a Deus que
as ajude enquanto procuram mudar nessa área tão importante.
A essa altura, o aconselhamento atinge
uma fase crítica. O aconselhado agora tem esperança, aceitou a responsabilidade
pessoal pelo problema e até mesmo confessou pensamentos errados e os reconheceu
como pecado. Agora ele precisa de respostas bíblicas sólidas para a pergunta:
“Como posso mudar?” Muitos aconselhados têm um entendimento deficiente da
doutrina da santificação progressiva. Se o conselheiro ministrar a Palavra de
Deus sabiamente, ele não somente ajudará seu aconselhado a superar os “ataques
de pânico”, mas também a estabelecer um hábito de busca pela mudança e
crescimento bíblicos em outras áreas da sua vida também.
O conselheiro pode agora escolher uma
entre várias direções bíblicas. Uma abordagem bastante usada e sempre
proveitosa seria ensinar o aconselhado o princípio do “despojar-se e
revestir-se” de Efésios 4:22-24. O gráfico ilustra como esta verdade pode ser
implementada.
Área de
mudança
|
Despojar-se
|
Revestir-se
|
Respostas erradas diante de
situações que despertam medo
|
O que penso
Sei que se dirigir um carro irei me
envolver em um acidente.
O que quero
Devo estar seguro (dentro da minha
definição de segurança)
O que faço
Não vou dirigir um carro.
|
O que penso
Eu não conheço o futuro, mas o Pai
de amor o conhece.
O que quero
Quero agradar a Deus acima de
qualquer outra coisa.
O que faço
Vou voltar a dirigir um carro para
poder servir melhor a Deus.
|
Outra ferramenta útil no processo de
aconselhamento pode ser o livro In the Arena of the Mind, de John Vandergrift
(Ask, Seek, and Knock Publishing, Howell, NJ), que trata de assuntos como controle
do pensamento, egoísmo, preocupação e medo.
Para ajudar no processo de adquirir novos
hábitos, o conselheiro pode pedir ao aconselhado para fazer alguns cartões com
“pensamentos a cultivar”, nos quais escreverá versículos bíblicos, uma lista de
bênçãos concedidas por Deus ou outras verdades apropriadas. Os cartões devem
estar sempre à mão para que quando o medo chegar, o aconselhado possa
conscientemente escolher “substituir” os pensamentos pecaminosos por
pensamentos que agradam a Deus.
Com freqüência, é também necessário
ajudar o aconselhado a lidar com os desejos do coração. O “paradigma do pecado”
em Tiago 1:14-15 ensina que os desejos do homem (cobiça) podem enganá-lo e
seduzi-lo a praticar atos pecaminosos. A
analogia que Tiago faz aplica-se perfeitamente àqueles que lutam com o medo e o
pânico. O aconselhado precisa ser ajudado a considerar quais desejos o motivam
a pensar e a se comportar de determinada maneira nas situações que resultam em
pânico. É bem possível que ele descubra que o desejo inicial não é
intrinsecamente errado (por exemplo, “Eu quero evitar ferimentos”), mas se
torna errado quando ele permite que tal desejo tome conta do seu coração e
tenha prioridade sobre o alvo de agradar a Deus.
Geralmente esses ídolos que dominam a
vida do aconselhado tomam a forma de “Eu necessito...” ou “Eu tenho que...”.
Uma vez que os ídolos são expostos, não é raro que o aconselhado perceba que em
muitas outras áreas da sua vida ele também os está “adorando”. Ao lidar com
seus desejos pela perspectiva bíblica, é provável que o aconselhado veja
mudanças em uma variedade de áreas da sua vida, aparentemente pouco
relacionadas ao problema inicial com pânico.
Finalmente, é essencial que o
conselheiro dê várias tarefas para que o aconselhado seja responsável pela
mudança. Cada semana a pessoa deve ser indagada sobre as circunstâncias e lutas
que enfrentou e como escolheu conscientemente implementar a verdade bíblica que
aprendeu. O conselheiro e o aconselhado podem
aproveitar a oportunidade para louvarem juntos ao Senhor por sua graça e
verdade.
Que Deus possa nos abençoar enquanto
procuramos ajudar Seu povo a lidar com o pânico e o medo de maneira que agrade
e engrandeça a Ele.
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