Paulo como apóstolo
Os aspectos distintos do
apostolado de Paulo foram a nomeação direta dele por Cristo (GI 1.1) e a
designação feita a ele do mundo gentio como sua esfera de trabalho (At
26.17,18; Rm 1.5; Gl 1.16; 2.8). Seu apostolado foi reconhecido pelas
autoridades em Jerusalém, de conformidade com sua própria reivindicação no
sentido de ser classificado em pé de igualdade com os primeiros apóstolos.
Apesar disso, nunca afirmou ser membro do grupo dos Doze (1 Co 15. 11), pelo
contrário, mantinha-se independente. Era capacitado para dar testemunho da
ressurreição porque a sua chamada viera do Cristo ressurreto (At 26.16-18; 1 Co
9.1).
Paulo considerava seu
apostolado uma demonstração da graça divina, bem como uma chamada à labuta
sacrificial, ao invés de uma oportunidade para se vangloriar (1 Co 15.10). Não
dava nenhuma sugestão de que a posição especial de apóstolo o exaltasse acima da
Igreja e que o distinguisse dos demais que tinham dons espirituais (Rm 1.11,
12; 1 Co 12.25-28; Ef 4.11). Sua autoridade não se derivava de alguma qualidade
especial nele (1 Co 3.5), mas do próprio evangelho, na sua verdade e no seu
poder para convencer (Rm 1.16; 15.18; 2 Co 4.2). Além disso, o chamado e missão
de Paulo estavam tão ligados à sua vida, a ponto do apóstolo designar o
evangelho de "meu evangelho" (Rm 2.16; 16.25; 2 Tm 2.8). Mas mesmo
assim, procurava deixar claro quando estava dando a sua própria opinião (Cf. 1
Co 7.10-12).
Se quisermos um quadro
completo do que o Novo Testamento entende por missão e evangelismo, basta
observarmos o relato do apóstolo Paulo sobre a natureza de seu próprio
ministério de evangelização (5).
A pessoa de Paulo
O divisor de águas na vida
de Paulo foi o seu encontro com Jesus no caminho de Damasco. A vida do
apóstolo, portanto, pode ser dividia em antes e depois de sua conversão.
a. Seu passado
Antes da sua conversão,
Paulo era um judeu comprometido e zeloso com suas tradições. O orgulho de Paulo
com a sua herança judaica (Rm 3.1,2; 9.1-5; 2 Co 2.22; Gl 1.13,14 e Fp 3.4-6) o
levou a perseguir a comunidade cristã (Gl 1.13; Fp 3.6; 1 Co 15.8; v.t. At
8.1-3; 9.1-30).
Desde seu nascimento, por
volta de 30 A.D., até seu aparecimento em Jerusalém como perseguidor dos
cristãos, há pouca informação sobre a vida de Paulo. Sabe-se pelo testemunho
dele mesmo que era da tribo de Benjamim e zeloso membro do partido dos fariseus
(Rm 11.1; Fp 3.5; At 23.6). Era cidadão romano (At 16.37; 21.39; 22.25-28).
Nasceu em Tarso, uma importante cidade localizada na Cilicia, na costa oriental
do Mediterrâneo, a norte de Chipre e um notável centro de cultura e
intelectualidade grega.
Estudiosos, como E. E.
Ellis (In NDB, 1986, p. 1217), supõem que Paulo se tornou familiarizado com
diversas filosofias gregas e cultos religiosos durante sua juventude em Tarso.
Entretanto, Atos 22.3 parece indicar que Paulo apenas nasceu em Tarso e foi
educado em Jerusalém. Eu sou judeu, nasci em tarso da Cilicia, mas criei-me
nesta cidade e aqui fui instruído aos pés de Gamaliel, segundo a exatidão da
lei de nossos antepassados, sendo zeloso para com Deus, assim como todos vós o
sois no dia de hoje (grifo nosso).
Ainda jovem, Paulo recebeu
autoridade oficial para dirigir uma perseguição contra os cristãos, na
qualidade de membro de uma sinagoga ou concílio do sinédrio, conforme ele mesmo
descreve em Atos 26.10 (e assim procedi em Jerusalém. Havendo eu recebido
autorização dos principais sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões;
e contra estes dava o meu voto, quando os matavam) e Atos 26.12 (Com estes
intuitos, parti para Damasco, levando autorização dos principais sacerdotes e
por eles comissionado).
À luz da educação e
preeminência precoce de Paulo (cf. At 7.58; Gl 1.14), supomos que sua família
desfrutava de alguma posição político-social. O acesso do sobrinho de Paulo
entre os líderes de Jerusalém (At 23.16,20) parece favorecer essa suposição.
b. Sua conversão
Apesar de não existir
evidências bíblicas de que Paulo conheceu Jesus durante Seu ministério terreno,
seus parentes crentes (Rm 16.7) e sua experiência com o martírio de Estêvão (At
8.1) devem ter produzido algum impacto sobre ele. A pergunta, e principalmente
a afirmação de Cristo ressurreto, conforme registrada em Atos 26.14, dá a
entender isso. E, caindo todos nós por terra, discursa Paulo perante o rei
Agripa, ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: Saulo, Saulo, por que me
persegues? Dura coisa é recalcitrares contra os grilhões.
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