A Bíblia chegou ao Brasil 40 anos
antes dos missionários protestantes
A introdução das Sagradas
Escrituras no Brasil começou discretamente em 1814. Naqueles primórdios,
exemplares de Novos Testamentos e Bíblias completas eram distribuídos a bordo
de navios que deixavam Lisboa e portos ingleses com destino ao Brasil. Era um
trabalho muito inteligente e de bons resultados. Dependia da boa vontade e do
espírito missionário de capitães de navio, comerciantes e pessoal diplomático e
militar que viajassem para o Brasil. Os capelães britânicos radicados nos mais
importantes postos brasileiros também participavam deste ministério.
A partir de 1818,
a distribuição
de Bíblias na América Latina passou a ser feita por meio de agentes das duas
sociedades bíblicas existentes, a Britânica e a Americana. O primeiro deles foi
o pastor batista escocês James Thomson (1781-1854). Foi ele quem introduziu a
Palavra de Deus na Argentina, Chile, Peru, Equador, Colômbia, Porto Rico,
Haiti, Cuba, México e várias ilhas das Antilhas. Não se sabe se ele esteve no
Brasil.
O pastor metodista
americano Daniel Parish Kidder (1815-1891) foi o primeiro correspondente da
Sociedade Bíblica Americana a se fixar no Brasil. Com a idade de 22 anos, já
casado, ele percorreu o país de norte a sul. Kidder era destemido e criativo.
Em uma de suas viagens a São Paulo, propôs à Assembleia Legislativa da Imperial
Província de São Paulo o uso da Bíblia nas escolas primárias de toda a
província e se comprometeu a doar doze exemplares para cada escola, caso a
proposta fosse aprovada.
Entre a chegada dos
primeiros exemplares da Bíblia (1814) e a chegada do primeiro missionário
protestante permanente (1855), há um espaço de 41 anos. Isso significa que as
Escrituras Sagradas precederam a implantação das primeiras igrejas evangélicas
brasileiras.
Naquele tempo, a Igreja
Romana não via com bons olhos o trabalho das sociedades bíblicas e de seus
colportores (pessoas que se ocupavam da circulação da Bíblia por motivação
missionária). Os protestantes pensavam e agiam de maneira diferente. Cada fiel
deveria possuir seu próprio exemplar da Bíblia e conhecer o seu conteúdo, na
certeza de que ela é "a única regra de fé e prática".
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