Criando Vida no Laboratório?
“Basta contemplar a magnitude dessa tarefa para admitir
que a geração espontânea de um organismo vivo é impossível.”
Dr. George Wald
“Nós estamos a um passo mais próximos da criação da vida
em laboratório”, declarou a rede britânica BBC News.1
Uma equipe de 17 cientistas construíram o genoma da
bactéria Mycoplasma genitalium sintetizando pequenos blocos de DNA. Eles usaram
uma outra bactéria para que fossem feitas as múltiplas cópias dos blocos, para
então conectá-los e fazer seções maiores conhecidas como genes “cassettes”.
Estes cassettes foram agrupados na forma circular da bactéria Mycoplasma
genitalium, formando um genoma “sintético” completo.
O novo organismo – que ainda não está completo – foi
denominado Mycoplasma JCV1-1.0 em homenagem ao J. Craig Venter Institute (Craig
Venter foi um pesquisador de grande importância no mapeamento do genoma
humano).
A equipe de pesquisadores liderada por Hamilton Smith,
que compartilhou o prêmio Nobel em Fisiologia e Medicina de 1978, descreveu o
sucesso dessa equipe como sendo “a instalação do software – basicamente nós
teremos que reinicializar o genoma, tornando-o operacional... Nós estamos
simplesmente reescrevendo o software operacional das células – nós não estamos
projetando um genoma desde a sua base – não se coloca um genoma num tubo de
ensaio esperando que ele se transforme em vida”.
O uso do termo “sintético” em vez de “artificial” é
intencional, como o próprio Dr. Smith faz menção: “Nós queremos distinguir vida
sintética de vida artificial. Na vida sintética nós redesenhamos os cromossomos
das células, nós não estamos criando um novo sistema artificial de vida
completo”.
Esta equipe de cientistas espera construir organismos
especialmente desenhados que possam realizar tarefas específicas, como a
produção de combustíveis limpos, reprocessar gases do efeito estufa e outras
funções similares. Mas primeiro, a equipe precisa inserir o genoma sintético
criado dentro de uma célula, permitindo assim ao genoma “sequestrar” a célula e
começar a reproduzir-se.
Georgia Purdom, criacionista e doutora em genética
molecular, havia comentado sobre este assunto, antes mesmo da equipe de
pesquisadores ter chegado ao aperfeiçoamento mencionado na publicação da
Science: “Isto não é um exemplo de criação de vida. É apenas uma nova forma de
engenharia genética. Existe uma excitação muito grande devido a este trabalho e
não é por menos, mas nós precisamos ser cuidadosos ao avaliar verdadeiramente o
que a equipe do instituo Venter tem produzido. Eles mesmos têm afirmado que não
estão criando vida; eles estão modificando a vida tentando produzir novas
formas de vida baseadas em componentes pré-fabricados”.
Desde os tempos do famoso modelo pré-biótico de Stanley
Miller e Harold Clayton Urey, cientistas têm procurado demonstrar por meio de
modelos físico-químicos as possibilidades pelas quais vida teria aparecido
espontaneamente numa terra primitiva.
Todos os experimentos, usando o modelo Miller-Urey, não
conseguiram provar como vida teria surgido espontaneamente. Dos 20 aminoácidos
proteinogênicos, apenas 13 foram sintetizados. Dos sete que nunca foram
sintetizados encontram-se a arginina, a histidina e a lisina, fundamentais para
a formação tanto do DNA quanto do RNA.
Ao juntarmos toda a vasta gama de experimentos, desde
Miller até as pesquisas do J. Craig Venter Institute, podemos concluir que a
origem da vida, do ponto de vista materialista evolucionista, continua ainda
sendo um mistério.
Mistério este que com o conhecimento ganho através dos
vários genomas, tem saído do campo da matéria (hardware) e entrado no campo da
informação (software).
O mistério da origem da vida somente poderá ser
claramente entendido quando a Ciência descobrir a origem do código contido no
DNA e não a origem do DNA propriamente dito.
“Tentar fazer a vida misturando substâncias químicas em
tubos de ensaio é como soldar interruptores e fios no esforço de produzir o
sistema operacional Windows. Não dará certo! Porque trata o problema no nível
conceitual errado”.
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